quarta-feira, dezembro 30

Yagami

Precisava acender a luz pra achar uma caneta, mas tive alguma espécie de medo. Tateie no escuro.

Me entristece a homofobia da minha mãe, mas não dói.

Me sinto sozinha quando ela me troca por rostos sem vozes, mas não dói.

Me enxergo sobressalente quando ela grita que eu não ando na linha das expectativas dela, mas não dói.

Ela nunca vai saber o que me despedaça, ela não quer ver o assunto proibido. Porque o meu amor é uma doença, ela vai rezar.

Não importam julgamentos, nem quantas proibições existirem. Eu não os aplico em você, eu te digo pra viver longe deles... Também não funcionarão comigo.

Você pode me ferir sempre,

Me botar pra baixo quando eu achar que fiz tudo certo.

Eu me aquieto, só.

Mas e dai? Você não vai perder muita coisa mesmo, minhas palavras não te importam mais, você não as ouve, só vê o movimento dos meus lábios, em vão. é por eles que eu sou julgada. Foda-se como eu me esforço, o que importa é por onde eles querem passar, não é?

Não é uma ideologia, não é uma fase.

É amor, mamãe. É algo grande, incontrolável. É o que eu sinto e é nobre, tão nobre quanto seus príncipes.

Não vou me desculpar por não seguir o roteiro dos seus sonhos. Você me disse que não devemos nos preocupar com o que os outros pensam, você sempre condenou as pessoas preconceituosas ao seu redor. É triste, mãe. Condenar um tipo de preconceito não te faz apta a exercer outro.

É triste não poder compartilhar minha vida com você

É triste te ouvir dizer que não me ama. Porque quando você diz que eu tenho a obrigação de mudar o que eu sou, é isso que eu ouço. Você preferia outra pessoa no meu lugar.

Mas não dói.

Você não vai me sufocar, acredite mamãe. Não ligo pras suas promessas de fazer da minha vida um inferno.

Porque a única coisa que me quebra é a saudade.

O que me despedaça é a falta que sinto dela.

E toda noite que eu me lembrar dos últimos momentos que passei com ela, eu vou chorar.

É só por ela que o meu mundo cai.