sábado, outubro 17

Com um pedaço de morte entre os dedos
Assustada novamente em minha própria cama.
Já não sei se me entrego à esse pesadelo de sabado a tarde ou se escrevo algo consistente.
Uma pausa para o tormento, logo agora que minha musica favorita começa a tocar no rádio.
Preciso ajoelhar. Não pelos pecados, mas por necessidade. Meu corpo não é culpado, tento me convencer.
Tiro esse gosto de falta de opção da boca, não sai, não me agrada mais.
Parece que minha determinação surtiu efeito no momento, mas vou me render as marcas de um estranho prazer, daqui a pouco.
Estou tão paciente e despreocupada, consigo puxar uma pontinha dos dias melhores que ainda não presenciei.
Meu erro foi achar que meus poucos dias de erratidão tinham se tornado dias de inspiração, aqueles típicos transtornardos que fazem surgir coisas interessantes no papel.
Tenho que aplicar um pouco de controle por aqui, mas nada que me modifique, só o suficiente para não acabar idolatrando uma escrivaninha em uma sala escura.
O dia não dura muito mesmo, consigo me manter até que volte ao meu mundo alterado de sempre.
O engraçado é que quando estou por aí, todos notam-me em outro lugar e quando estou aqui, lutando pra continuar pisando no mundo de linhas e tocando as paredes, agem como se eu nunca tivesse sido tão eu mesma.
Se sempre me enxergassem como essa pessoa que eu raramente tenho contato, tudo bem, qualquer pessoa paciente e bem paga poderia me moldar e fazê-los mudar de ideia.
Não é assim, porém. Me vêem as avessas.É uma experiência interessante, mas o que faço nesses dias em que busco algo além das letras?
Bem, não vou cair no clichê de procurar uma resposta, nem tentar mudar isso hoje, talvez alguém faça isso sem que eu me dê conta, não importa.
Porque em mim, o corriqueiro 80 é mais presente e dominante do que o 8 que estou sentindo.


Sentir e escrever... Desse modo tb é interessante. Apesar de, a primeira vista, ter pensado em não publicar. Mas fazendo assim é mais puro do que escrevendo, pensando e riscando. Assim, quem quiser pode ler o que realmente fatou.

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